Efeitos da Gordofobia
WhatsApp11 de janeiro de 2023

Gordofobia é um neologismo para o comportamento de pessoas que julgam alguém inferior, desprezível ou repugnante por ser gordo. Esse preconceito contra a obesidade compromete a saúde, dificulta o acesso de pessoas acima do peso ao mercado de trabalho e a tratamentos adequados, afetando suas relações sociais e, também, a saúde mental.
Todo esse preconceito pode gerar vários danos psicológicos irreparáveis à vítima. No caso de crianças, são descritas alterações no comportamento, gerando transtornos alimentares como bulimia e comportamentos de risco como tabagismo, alcoolismo, e práticas nutricionais erradas, a fim de obter o emagrecimento. Além disso, o bullying também pode influenciar no desempenho das crianças na escola.
Os danos se estendem para a vida adulta. Muitas pessoas acima do peso preferem se esconder em casa para evitar olhares estranhos e não gostam de comprar roupa porque se sentem mal ao pedir os tamanhos necessários. Outro fato relatado é ter vergonha de ir a restaurantes, de comer em público porque se sentem vigiados e julgados. Esses fatos podem provocar problemas de saúde mental, como depressão, crise do pânico ou crise de ansiedade.
Há uma ligação entre o padrão social baseado no peso corporal, estresse psicológico e desenvolvimento de transtornos alimentares em adultos obesos. Esse preconceito possui um significativo potencial para estimular problemas alimentares e psicológicos, demonstrando que os aparecimentos destas questões estão vinculados a negativos pensamentos psicológicos provocados por comportamentos gordofóbicos.
As pessoas com obesidade também sofrem para conseguir emprego. O preconceito também está enraizado no mercado de trabalho, mesmo que este não tenha relação nenhuma com a moda, os empregadores também fazem suas escolhas com base na aparência física. Uma pesquisa chamada Profissionais Brasileiros – Um Panorama sobre Contratação, Demissão e Carreira, mostra que 6,2% dos empregadores assumiram não contratar pessoas com obesidade.
O que caracteriza a gordofobia?
Na ausência de uma lei que regule esse tipo de preconceito e com a constante presença de stand-ups, programas de TV e filmes em que pessoas acima do peso viram alvo de chacota, a gordofobia está tão entranhada na sociedade que às vezes somos gordofóbicos sem perceber. Abaixo, algumas dicas para fugir de comentários e atitudes ofensivos:
- Não use a característica física para identificar uma pessoa, falando coisas como: “fulano é aquele gordinho ali”;
- Ter obesidade não tem nada a ver com ser preguiçoso. Não associe as duas características;
- Não presuma que uma pessoa com obesidade é alguém que tenta emagrecer e está fracassando;
- Evite frases como “você emagreceu e ficou bonito”. A beleza não está só na magreza e muita gente perde peso de forma pouco saudável, por causa de distúrbios alimentares ou até mesmo depressão;
- Evite termos como “fofinho”, “gordinho” ou “maiorzinho”;
- Eduque a população - A grande responsável pela discriminação é a falta de conhecimento. Diversas pesquisas já apontam que a obesidade é um problema multifatorial, e não resultado de preguiça e indisciplina;
- Melhorias na formação dos profissionais de saúde - Uma das razões pelas quais os obesos não recebem terapias efetivas é o preconceito enraizado na formação dos próprios médicos.
- Mudança na infraestrutura dos consultórios e hospitais - De nada adianta ter um atendimento adequado se não há um olhar especial para a acessibilidade, pensando especialmente em quem possui obesidade grave. Os espaços físicos (rampas, elevadores, cadeiras, macas…) de hospitais e instalações médicas devem ser projetados pensando nessa população.
- Incentivo à pesquisa - A obesidade está relacionada a graves problemas de saúde pública. Por isso, os estudos para buscar tratamentos e entender melhor as causas desse quadro precisam receber financiamento apropriado, proporcional à sua prevalência e ao impacto na sociedade.
- Criação de leis antidiscriminação - Os governantes devem elaborar leis para eliminar as desigualdades sociais baseadas no peso. A ação do Estado é importante, porque a discriminação chega a esbarrar em aspectos socioeconômicos.
Se os critérios que definem uma ação de gordofobia ainda não são claros e o caminho parece ser longo, cabe a nós, como sociedade, lutar diariamente contra esse preconceito, seja no trabalho, nas relações sociais e, principalmente, entre as crianças e os adolescentes, orientando-os, desde cedo, a buscar ajuda ao sofrer algum tipo de assédio, a identificar um comportamento gordofóbico, a não naturalizá-lo e, sobretudo, não reproduzi-lo.